sábado, 4 de julho de 2009

“Há abusos em nome de Deus”

“Há abusos em nome de Deus”
Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos
KÁTIA MELLO

A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.

ENTREVISTA - MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR

Anna Carocina NegriQUEM É
Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZ
Editora assistente do jornal
O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é
Feridos em nome de Deus(editora Mundo Cristão)

ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César –
Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.

ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília –
Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

ÉPOCA – Que tipo de experiência você considera como abuso religioso e que marcas são essas?
Marília –
Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele fala assim para ela: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa. Então, essa mulher, que está com a autoestima lá embaixo, que apanha do marido - inclusive pelo Código Civil Brasileiro ele teria de ser punido - pede um conselho pastoral e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E ele usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, em que, teoricamente, os protestantes históricos têm uma reputação melhor.

ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília –
As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais, e não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista, que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, não existe mais isto. Jesus Cristo é o único mediador. Então o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes da sua vida, você precisa dele. Se você recebeu uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa da sua vida. E o pastor está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.

ÉPOCA – Você também fala que não é só culpa do pastor.
Marília –
Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho, que é o que o Sérgio Franco, um dos pastores psicanalistas entrevistados no livro, fala. A grande crítica do Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo as suas decisões de adulto - que são difíceis - e a figura do sagrado, no caso aqui o líder religioso, para a figura do pai ou da mãe - o pastor, a pastora. É a tendência do ser humano em transferir responsabilidade. O pastor virou um oráculo. É mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para pôr a culpa nas decisões erradas tomadas.

“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros
e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”

ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília –
Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do Diabo. Há pastores contra a terapia que afirmam que ela fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem que ser forte. E dizem isso supostamente apoiados em textos bíblicos. Dizem que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele. Mas ele começou a perceber que esse pastor é gente, que gosta de ganhar presentes e que usa a Bíblia para se justificar. Uma das histórias que mais me tocou foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Ela foi para uma dessas igrejas e ouviu que se estivesse sentindo ainda doente era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença auto-imune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo e não a autorizou. Mesmo assim, ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Ela entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília –
Os abusos não acontecem da noite para o dia. A pessoa que está sendo discipulada, que aprende com o pastor o que a Bíblia diz, desenvolve esse relacionamento aos poucos. No primeiro momento, ela idealiza a figura do líder, como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O fiel vê esse líder como um intermediário, como um representante de Deus que tem recados para a vida dele, um guru. E o pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo, como numa amizade. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida do fiel. O fiel, pro sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele se sente devedor do pastor e começa, então, a dar presentes. O fiel quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher, ou porque arrumou um emprego e está andando na linha. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor, por sua vez, gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para dizer que esse ato é bíblico. O poder está no uso da Bíblia para legitimar essas práticas.

ÉPOCA – Qual é o limite da autoridade pastoral?
Marília –
O pastor tem o direito de mostrar na Bíblia o que ela diz sobre certo tema. Como um bom amigo, ele tem o direito de dar um conselho. Mas ele tem de deixar claro que aquilo é apenas um conselho. Pode até falar que o resultado disso ou daquilo pode ser ruim para a vida do fiel. Mas ele não pode mandar a pessoa fazer algo em nome de Deus. O que mais fere as pessoas é ouvir uma ordem em nome de Deus. Se é Deus, então prova! Se Deus fala para o pastor, por que Ele não fala para o fiel? Eles estão sendo extremamente autoritários.

ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica. Explique.
Marília –
É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. Porque o pastor evangélico virou um papa que é a figura mais criticada no catolicismo, o inerrante. E não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. E é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. Existe uma ruptura entre o Antigo e o Novo Testamento, que é a cruz. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma e eu concordo com ela. Essa hierarquização da experiência religiosa, que o protestante tanto combateu no catolicismo, está se propagando. Você não pode mais ter a conversa direta com o divino. Porque tem aquela coisa da “oração forte” do pastor. Você acha que ele ora mais que você, que ele tem alguma vantagem espiritual e, se você gruda nele, pega uma lasquinha. Isso não existe. Somos todos iguais perante Deus.

ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília –
Eu não acho isso. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.

ÉPOCA – Por que você diz que existe uma questão cultural no abuso religioso?
Marília –
Porque o brasileiro procura seus xamãs, e isso acontece em todas as religiões. O brasileiro é extremamente religioso. A ÉPOCA até publicou uma matéria sobre isso, dizendo que a maioria acredita em algo e se relaciona com isso, tentando desenvolver seu lado espiritual. O brasileiro gosta de ter seu oráculo. A pessoa que vem do catolicismo, onde há centenas de santos, e passa a ser evangélica transfere aquela prática e cultura do intermediário para o protestantismo, e muitas igrejas dão espaço para isso. O pastor Edir Macedo (da igreja Universal) trouxe vários elementos da umbanda, do candomblé, porque ele é convertido. Ele diz que o povo precisa desses elementos -que ele chama de pontos de contato - para ajudar a materializar a experiência religiosa. A Bíblia condena tudo isso.

ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso. Fale deles.
Marília –
Desconfie de quem leva a glória para si. Um conselho é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como quere ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado com esse cara.

Copiado do link:

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A HISTÓRIA DO FUTURO


Introdução – A História do futuro
Desde o passado mais remoto, o homem se preocupa em conhecer o que lhe reserva o futuro. Milhares de pessoas, ao longo das eras, tem se dedicado às previsões. Profetas, astrólogos, bruxas, adivinhos, criadores de utopias, autores de ficção científica e, mais recentemente, economistas são alguns exemplos.
O índice de acertos, entretanto, tem sido baixo. As antevisões do futuro raramente se confirmam.
Em a História do futuro, livro pesquisado com máxima seriedade, porém escrito com muito humor e ironia, David A. Wilson nos mostra que, até agora, todos aqueles que ousaram anunciar a data do fim do mundo erraram. E se finalmente alguém acertar, lembra ele, não restará ninguém para apreciar seu talento profético.
Ao focalizar os personagens que fizeram prognósticos sobre o futuro, a autor nos apresenta figuras como o reverendo William Sedgwick, que ocorreu em Londres em 1647, para propagar que a segunda vinda ocorreria em duas semanas. O que lhe valeu a alcunha jocosa, nos 15 anos restantes que viveu de : “Sedgwick do Juízo final”. Ou as radicais “feministas” medievais, que acreditavam que o milênio seria governado por mulheres revolucionárias.
Mas se as profecias nos falam pouco ou nada do que realmente está para acontecer, elas são extremamente reveladoras do que se passa à época em que são formuladas. Elas são a mais pura tradução das esperanças, medos, sonhos e aspirações que dominam a sociedade. É desta maneira que, Wilson acaba por conduzir o leitor a uma fascinante viagem ao passado, ou melhor, às variadas formas de como o passado idealizou o porvir.
David A. Wilson é professor de História e Estudos Celtas na Universidade de Toronto, Canadá. Publicou quatro livros, entre eles Ireland, a Bicycle and a Tin Whistle, grande sucesso em seu País. Além de escritor ele realiza documentários pelo rádio.
Copiado da introdução ao livro, na capa.
Postado por Alberto

PROPAGANDA: IDEOLOGIA E MANIPULÃÇÃO

Retirado do Livro.......

Nélson Jahr Garcia

PROPAGANDA:
IDEOLOGIA E MANIPULAÇÃO

No site
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/manipulacao.html


Ele os utilizam exclusivamente para a difusão das idéias e opiniões que lhes são favoráveis, não permitindo que se propaguem ideologias contrárias ou fatos que contestem seus interesses. A população fica, desse modo, impossibilitada de ter acesso à maior parte dos aspectos de sua realidade e, assim, impedida de compreender exatamente sua posição e seu interesses, termina por ser envolvida na única ideologia que lhe é apresentada.

A censura oficial, realizada por órgãos governamentais, também é um instrumento de controle ideológico. Através dela se definem os limites do que pode ou não ser divulgado, neutralizando-se as possibilidades de manifestações contrárias aos valores defendidos pelos governos.

Sem acesso às informa ções que lhe possam fornecer uma visão dos diversos aspectos do mundo em que vive, a população acaba tendo uma visão deformada da realidade, que a conduz a se comportar dentro dos estritos limites traçados a partir dos interesses da classe dominante.

O controle ideológico se exerce, também, diretamente sobre as pessoas, seja reprimindo ou corrompendo líderes para que desistam ou sejam impedidos da tentativa de conscientizar seus liderados, seja exercendo pressões constantes par que os receptores não tenham condições psicológicas de julgar, analisar e avaliar as idéias que recebem.

Geralmente surgem, no seio das classes dominadas, alguns indivíduos que, apesar de toda a censura e manipulação dos meios de comunicação, conseguem perceber melhor certos aspectos da realidade e procuram transmitir sua compreensão aos demais, conscientizando-os. É o caso dos líderes operários, estudantes, religiosos e intelectuais. Nesses casos, a classe dominan te, diretamente ou através dos órgãos do governo, procura neutralizar esses líderes através de ameaças, prisões, torturas ou exílio. Outras vezes, a neutralização se faz de forma não tão violenta através da cooptação. Cooptação é o processo pelo qual um indivíduo ou pequeno grupo recebe concessões e privilégios, em troca dos quais deva deixar de defender os interesses da classe social à qual pertence, para defender aquele que lhe fez as concessões. É o caso de trabalhadores e intelectuais que são contratados para exercer certos cargos privilegiados no governo ou em empresas privadas.

A pressão sobre as pessoas pode, também, concretizar-se através de perseguições, denúncias e acusações insistentes contra aqueles que não seguem determinada orientação. É o caso das "patrulhas ideológicas", expressão muito empregada no Brasil, a partir de 1978, para qualificar os grupos que criticam repetidamente alguns artistas, intelectuai s e pessoas muito populares que não aderem às idéias defendidas por aqueles grupos. O cineasta Carlos Diegues e o cantor Caetano Veloso já se queixaram por serem exageradamente criticados ao não assumirem as posturas exigidas por militantes esquerdistas. Pelé afirmou ser perseguido e criticado por grupos que não admitiam sua recusa em assumir a liderança na luta contra o racismo. A mesma forma de pressão tem sido feita, desde os começos do século, sobre aqueles que defendem a necessidade de se dar maior atenção aos problemas sociais como o analfabetismo, a miséria, o alto índice de enfermidades etc. Inúmeros são os que estão prontos a acusá-los de anarquistas, comunistas, agentes russos ou cubanos, antipatriotas. Trata-se de uma forma de perseguição que visa, senão obter a adesão do pressionado, ao menos conseguir seu silêncio para que não expresse idéias julgadas inconvenientes.

A pressão psicológica é uma das formas mais interessantes de controle. Atua diretamente sobre os receptores, afetando sua capacidade de análise, para que recebam as mensagens da propaganda dentro de uma postura passiva e submissa.

As pessoas, em condições normais, ao receberem uma informação ou assistirem a um fato, procuram compreender a situação, analisar os prós e contras, verificar se se trata de algo que lhes diga respeito diretamente assim por diante. É o que se chama senso crítico. Todavia, em determinadas situações de envolvimento emocional, tensão nervosa, temor, cansaço físico e mental, os indivíduos tendem a ter o seu senso crítico diminuído. Nesses momentos, ouvem as afirmações ou assistem aos fatos sem avaliá-los, aceitando passivamente o que lhes apresenta. A propaganda utiliza inúmeras formas de pressão para neutralizar o senso crítico dos receptores e lograr convencê-los. O recurso mais empregado é a organização de grandes concentrações de massas. Nessas ocasiões, as marchas, as mú sicas e cânticos ampliados por alto-falantes, as luzes, o lançamento de folhetos e papéis, o ritmo dos tambores, as bandeiras, estandartes, os discursos inflamados, tudo reflete sobre os presentes. Envolvem as pessoas com tal intensidade que, quase hipnotizadas, tornam-se mais sugestionáveis às mensagens que recebem. Foi com o emprego constante desses recursos que Adolf Hitler conseguia manter as multidões em contínuo estado de exaltação e conduzi-las ao delírio.

Algumas práticas religiosas também são empregadas como instrumentos de pressão psicológica para obter a adesão fanática dos receptores. Produzem esgotamento físico, fazendo as pessoas ficarem muito tempo em pé, ajoelhadas ou participando de longas e cansativas danças. Geram ansiedade através da espera do sacerdote que se atrasa, da escuridão ou luz muito intensa, palmas, músicas e cantos ritmados, da repetição dos sons de tambores. Embriagam com incenso, álcool, fumo e drogas inebrian tes. Despertam temor com ameaças de infernos, monstros e demônios. Em meio a tudo isso fazem-se as pregações, conseguindo não só convencer os receptores. como levá-los a verdadeiros estados de possessão e transe. São os recursos adotados por diversos cultos místicos praticados no Brasil e na África e, embora de forma menos profunda e pouco intensa, por quase todas as seitas religiosas existentes na face da terra.

Dentre as formas de pressão psicológica conhecidas, a mais intensa e, talvez, a mais eficaz é a denominada "lavagem cerebral". É realizada com indivíduos ou grupos que são conduzidos a locais afastados, de onde não podem sair durante algumas semanas ou meses, ocasião em que são freqüentemente bombardeados com novas idéias. Baseia-se essa técnica no fato de que os conhecimentos, idéias e reflexos dos indivíduos servem para que possam adaptar-se e manter-se em equilíbrio como o seu meio. Conseqüentemente, ao se criar um novo ambiente onde os hábitos e reações costumeiras são insuficientes para obtenção do equilíbrio, torna-se mais fácil incutir novas orientações. Se, além disso, forem feitas pressões que diminuem o senso crítico, a possibilidade de persuasão é ainda maior.

Há ainda, uma técnica de controle ideológico que procura impedir que as pessoas adquiram consciência de suas condições de vida, distraindo sua atenção. Através dos meios de comunicação, bombardeia-se a sociedade com notícias sobre fatos suficientemente atrativos para que os indivíduos tenham sua atenção desviada dos problemas econômicos e sociais. Baseia-se no fato de que as pessoas têm um limite de percepção e atenção e que, saturadas por um certo número de informações que apelam para as emoções e sentimentos, não lhes sobra espaço nem tempo para receber outras idéias. Grandes torneios desportivos, crimes cometidos com crueldade, têm sido constantemente alardeados para envolv er os receptores em sua discussão e distraí-los das questões mais graves.


Se tiver achado interessante
vá ao site o livro está na internet e é de graça.... copie-o


Francisco

sexta-feira, 1 de maio de 2009

NÃO SEJA COMO JONAS

Autor: Prof. Gilson Medeiros

"Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus Se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez" (Jonas 3:10).

A continuação deste relato nos mostra uma das facetas mais obscuras e egoístas do coração humano:

"Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado" (4:1).


Como é possível alguém ficar "extremamente desgostoso" e "irado" pelo fato de Deus não ter destruído uma cidade inteira?!

Como pode alguém que havia sido tão maravilhosamente liberto do ventre do grande peixe (não era uma baleia, diga-se de passagem) e, logo em seguida, sentir tanta sede de sangue?!

Como entender o fato de um profeta de Deus, um enviado do Altíssimo, ser uma pessoa com um coração tão vingativo e cruel?!

Pois é... a história conta que Jonas era assim! Ele não se conformou pelo fato de que Deus ouviu o clamor dos ninivitas, e compadeceu-Se deles, derramando-lhes Sua graça e Sua misericórdia.

Fico imaginando Jonas, vagando pelas ruas da cidade, pregando a destruição iminente, e dizendo em seu coração:
- Vocês vão ver, raça de víboras! O meu Deus não vai ter um pingo de pena de nenhum de vocês! Vocês não perdem por esperar! Continuem em suas orgias!

Porém, como eu já tenho dito aqui várias vezes, Deus age de uma forma muito "ilógica" do ponto de vista humano. Talvez seja exatamente por isso que nós ainda não tenhamos sido consumidos em nossa hipocrisia e falsa religiosidade... Ele "também" tem misericórdia de nós!

Existem muitos "Jonas" por ai

É uma pena que a fé em Deus não nos livre de mantermos em nosso coração sentimentos tão maus e diabólicos quanto a vingança, o ódio e a intriga! Infelizmente, a capa da religiosidade tem cobrido nossa verdadeira face, a qual, em muitos momentos, se revela mais negra e vil do que a dos piores "ímpios".

Jonas estava com um coração tão cheio de raiva e preconceito contra o povo de Nínive, que não pode aceitar o fato de que eles, vis e devassos como eram, também estavam na mira da graça de Deus. O profeta, apesar de pregar sobre um Deus que é misericordioso e bondoso, não cria nisso. Jonas representa perfeitamente aqueles de nós que só conseguem ver o lado de "justiça" de Deus, mas nunca conseguem enxergar a Sua face de "misericórdia", "graça" e "amor" reveladas constantemente nas Escrituras.

Conheço "crentes" (inclusive Adventistas) que olham para os outros "de cima para baixo", ou seja, com aquele ar de "sou melhor que você". Tais pessoas não conseguem entender como Deus pode amar uma prostitura, um drogado, um adúltero, um presidiário, um político corrupto que faz turismo com o dinheiro público (rsrs)... da mesma maneira que ama aqueles que professam crer em Seu nome.

A diabólica doutrina do inferno tem contribuído com esta maneira deturpada de alguns verem a graça de Deus pelos pecadores. Algumas pessoas gostam de pensar que aqueles que não aceitarem a doutrina de sua denominação, arderão no fogo eterno, em caldeirões de água fervente, com diabinhos espetando seus corpos e dando fezes para comerem e urina para saciarem a sede... Era assim que o quadro era pintado na Idade Média, e tem encontrado reflexo ainda hoje.

A experiência de Jonas deve nos mostrar que não podemos JAMAIS exultar pela perdição eterna de uma alma sequer. Ele concluiu sua pregação e foi para um lugar bem alto, para assistir "de camarote" o desespero e a agonia do ninivitas. Imagino que ele deve ter olhado fixamente para o Céu, à espera do fogo e do enxofre que aniquilariam seus inimigos.

Mas no coração do Senhor haviam outros planos, pois os ninivitas também mudaram sua maneira de proceder.... arrependeram-se e suplicaram a misericórdia.

Nós somos facilmente apegados à letra da lei. Se o Manual diz que é para disciplinar, então que assim seja! Se diz que é para banir da comunhão os insubordinados, então que se faça dessa maneira!

Se Deus tinha dito que destruiria Nínive, então por que voltar atrás? Onde ficaria a "honra", o "bom nome" do profeta?! Como ficaria "a imagem" da sua religião, da sua igreja?!

Ora... vê como o coração humano é mal e pecaminoso? Queremos misericórdia, graça e perdão para nós, mas não agimos assim quando se trata daqueles que nos ofendem, magoam e traem. Para eles, a letra da lei! A "tábua de condenação"!

Já imaginou a surpresa de alguns "conterrâneos" de Jonas quando encontrarem os ninivitas no Reino de Deus (Lucas 11:32)?! 
Já imaginou a surpresa de alguns "crentes" de hoje quando encontrarem seu vizinho ateu participando da Ceia do Cordeiro?!
Já imaginou como vai ser um "choque" para alguns legalistas e fariseus modernos quando se depararem com aquele "irmãozinho" que era indisciplinado, negligente, e que não seguia as mesmas "regras morais" que aqueles determinavam?!

Se tem uma coisa que eu aprendi da história de Jonas é a seguinte:

Não devemos julgar as pessoas e, muito menos, condená-las à perdição, pois o Senhor ama a todos e sempre atenderá o pedido sincero de socorro vindo dos lábios (ou da mente) de um de Seus filhos queridos... mesmo que este "filho" esteja todo enlameado pela sujeira deste mundo.

"...mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rom. 5:20-21).


Amém!

RELIGIOSO OU CRISTÃO?

Autor: Prof. Gilson Medeiros

"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei" (Gál. 5:22-23).

Existe diferença entre ser um "cristão" e ser um "religioso"? A princípio, sim.

Um religioso é aquele que segue uma religião, portanto, pode-se dizer que o budista é um religioso, o hinduista, o judeu, o muçulmano, e até mesmo um espírita pode ser considerado um religioso. Existem alguns autores que colocam até os ateus neste grupo de "religiosos"!

Mas, ser um "cristão" é diferente. Neste grupo estão apenas os que crêem, vivem e pregam sobre os ensinamentos de Jesus Cristo. Segundo a Bíblia, a primeira vez que os discípulos receberam este "rótulo" foi na cidade de Antioquia (cf. Atos 11:26). No original grego é utilizada a palavra CHRISTIANOS, ou "aquele que segue a Cristo".

E eu posso professar seguir a Cristo mas não ser um "cristão"? Teoricamente, sim. Até certo ponto é perfeitamente possível viver toda uma vida seguindo rituais e cerimônias do Cristianismo, mas não estar entre aqueles que Jesus considera como Seus. A declaração dEle em Mateus 7:21-23 é uma prova cabal disso!

E como saber se minha fé não está sendo enganosa? Como saber se eu estou realmente desfrutando do crescimento e da "novidade de vida" que os primeiros cristãos experimentaram? Como que as pessoas podem olhar para mim, e assim como em Antioquia, verem que eu sigo a Jesus?

A resposta é dada por Paulo na citação bíblica que abriu esta postagem: Gálatas 5:22-23.

Uma pessoa que está se deixando trabalhar pelo Espírito Santo, fatalmente, demonstrará em sua vida O FRUTO deste Espírito. Sempre me intrigou esta designação no "singular" sobre a manifestação do Espírito Santo em nós. Quando Paulo fala de dons, ele usa o plural... Quando fala em ministérios de liderança, ele usa o plural... Mas quando Paulo foi inspirado a falar sobre o RESULTADO (é isto que um fruto é!) da atuação do Espírito Santo em nós, ele usa um termo no "singular": FRUTO. Não são "os frutos", mas O FRUTO. Isto deve nos levar constamente à reflexão!

Quer dizer que eu posso ser bondoso e fiel, mas se não tenho a paciência, então o Espírito Santo não está habitando totalmente em mim? Parece que foi isso que Paulo quis ensinar aos Gálatas... O apóstolo, que teve uma tremenda experiência de conversão, passando de "religioso" (cf. Filip. 3:5-6) a "cristão", nos leva a refletir sobre até que ponto nossa vida "devocional", "cerimoniosa", "litúrgica", está refletindo uma experiência verdadeira com Jesus.

Quantas pessoas que conhecemos, com uma aparente "consagração" infalível, e que são pessoas de temperamento irritante, belicoso e anti-social?!
Quantos que são extremamente meticulosos no que devem comer, mas que são avarentos e apegados aos bens materiais?!
Quantas esposas que, na Igreja, são modelos de "santidade", mas que com os parentes e vizinhos demonstram-se extremamente intemperantes e grosseiras?!
Quantos maridos que, com terno e gravata, até parecem o supra-sumo da fidelidade a Deus, mas que em seus lares são cruéis, implacáveis e tiranos com esposa e filhos?!
Quantos pastores, anciãos e líderes que deveriam ser um modelo na revelação do fruto do Espírito, mas que machucam, magoam e ferem aqueles que estão sob sua "autoridade"?!

Amor,
Alegria,
Paz,
Longanimidade,
Benignidade,
Bondade,
Fidelidade,
Mansidão,
Domínio próprio


É fácil decorar versos bíblicos; saber doutrinas e profecias na ponta da língua; conhecer todas as combinações alimentares permitadas e proibidas; palestrar horas seguidas sobre os benefícios da soja em nossa dieta; ter dezenas de certificados do ano bíblico pendurados na parede; ler todos os livros escritos por Ellen White...

O difícil é demonstrar aos que nos rodeiam se, realmente, Cristo vive em nós. Isso se revela não só por roupas características de "crente", ou por não usar maquiagem e jóias, por exemplo... Isso os "religiosos" também conseguem fazer...

Mas o que o mundo deseja ver mesmo, e não conseguirá levantar contra-argumentos, é uma vida renovada e vivificada pelo Espírito do Senhor, evidenciando o seu COMPLETO FRUTO, com suas 9 partes, em nossa vida.

De que adianta passar horas e horas na Igreja, não perder a nenhum culto das madrugadas, estar em todas as Santas-Ceias, etc., se, ao chegar em casa, o caráter que é revelado aos parentes, amigos e familiares é o mesmo de uma pessoa que não tem nenhum contato com nossa fé?!

De que adianta a existência da Igreja, se ela não consegue nos ajudar a vivermos à semelhança de Cristo? Para que ela serve se, ano após ano, continuamos os mesmos egoístas, grosseiros, petulantes, arrogantes, briguentos, críticos e encrenqueiros de sempre?!

De que adianta ter nascido em "berço Adventista", se anos depois eu revelo o mesmo caráter vil e perverso de outros que nasceram na mesma época que eu, mas em outro "berço"?!

Jesus veio para derrubar as barreiras que existiam entre a "religião" e a "fé". 
- Os religiosos estavam sempre querendo disciplinas e apedrejamentos... Jesus queria curar e libertar.
- Os religiosos seguiam seus infindáveis rituais de purificação exterior... Jesus ensinava que o mais importante é purificar o interior.
- Os religiosos eram implacáveis e vingativos... Jesus perdoava e derramava Sua misericórdia.

Aliás, das poucas vezes em que Jesus agiu com "grosseria" ou "dureza" foi exatamente contra os RELIGIOSOS.

Já pensou nisso?!

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Deixe que a verdadeira fé, uma fé viva em Cristo, nosso Salvador e Senhor, modifique sua vida de tal forma que o Espírito Santo encontre lugar para ali construir o Seu Templo (cf. 1Cor. 6:19).

Se até hoje sua vida tem sido de rituais e cerimônias meramente religiosas, peça ao Senhor que te mostre a beleza de ter a vida lavada e regenerada pelo "banho da graça", que Jesus deseja conceder a todos os que O seguem (Tito 3:5). 

Desejo, de coração, que Jesus encontre entre os Adventistas do 7º Dia muito mais cristãos do que religiosos!

quinta-feira, 12 de março de 2009

O dilúvio foi copiado de lendas de outros povos?

           Fator melquisedeque

Os fatos apresentados nesse tipo de explicação podem ser vistos de dois ângulos. Você pode, por exemplo, dizer que o dilúvio foi copiado de antigas lendas pagãs (há muitas sobre o dilúvio), ou acreditar que não eram lendas, mas um conhecimento do dilúvio que acabou misturado com sua cultura. O mesmo sobre o Sol e a menção que a Bíblia faz dele em relação a Cristo, como o “Sol da Justiça”, por exemplo. Será que o cristianismo copiou do paganismo a noção de Jesus/Sol ou esse era um conhecimento real e dado por Deus que acabou se mesclando com sua cultura?

O mesmo você pode dizer da ressurreição, do sacrifício vicário, da santa ceia e de tantos outros aspectos do cristianismo que possuem um correspondente no paganismo. O fato de algo ter um correspondente no paganismo não quer dizer necessariamente que o correspondente pagão tenha sido o que surgiu primeiro. Como no caso do dilúvio, primeiro veio o conhecimento divino dado a Noé, e depois as lendas pagãs. O mesmo se pode dizer do monoteísmo. Há religiões pagãs monoteístas, como uma que dominou o Egito em um determinado tempo, ou outra instituída por um rei Inca em sua época. Teria o judaísmo ou cristianismo monoteísta ido buscar a ideia nesses povos ou seria o contrário?

Vários povos antigos tinham a noção de um salvador que viria do céu, e alguns alegam que os Maias tenham se deixado dominar pelos espanhóis por considerarem aqueles homens enormes (nos primeiros encontros eles não entendiam que o cavalo não fazia parte do homem) como o salvador anunciado. Será que o messianismo judaico-cristão emprestou desses povos antigos a ideia de um Messias ou foi o contrário, isto é, esses povos em algum momento do passado tiveram contato com a revelação divina de um Messias e acabaram incorporando isso em suas culturas?

Um excelente livro sobre o assunto é O Fator Melquisedeque, de Don Richardson, missionário que encontrou vários exemplos de paralelos cristãos em povos indígenas de todo o mundo. Sua tese é que Deus preparou os homens para as Suas verdades e que esse preparo acabou incorporado às suas culturas, de forma que não achassem estranho quando alguém lhes falasse de um dilúvio universal, de um Messias, um Salvador, um sacrifício substitutivo, etc. 

O próprio Don Richardson viveu em uma tribo da Nova Guiné onde a porta para a aceitação do evangelho foi o conceito que tinham do “Totem da Paz”, ou seja, quando uma tribo queria ter paz com outra, entregava um de seus filhos, uma criança, que precisava ser criada pela outra tribo. Enquanto a criança vivesse, elas não poderiam guerrear. Quando o missionário disse aos indígenas que Deus entregou Seu filho para fazer a paz conosco, e como o Filho está hoje ressuscitado e não morre mais é possível ter paz com Deus eternamente, tiveram início as conversões.

Leia um trecho da apresentação do livro:

“Deus preparou o mundo para o Evangelho 

“Uma vez por ano, os artesãos de uma tribo da Indonésia constroem um barco de madeira em miniatura e o levam à beira do rio. O chefe religioso da tribo amarra uma galinha num lado do barquinho e coloca uma lanterna acesa no outro lado. Logo em seguida, cada membro da tribo passa perto do barquinho e coloca um objeto invisível entre a galinha e a lanterna. 

“Quando se pergunta às pessoas o que deixaram no barquinho, elas respondem: meu pecado. Depois, o chefe deixa o barquinho ser levado pela correnteza do rio, enquanto os expectadores gritam: ‘Estamos salvos!’ Embora essa cerimônia religiosa não salve ninguém do seu pecado, Don Richardson a vê como exemplo de uma ponte para o conhecimento do Evangelho. 

“Neste livro, Richadson conta mais 25 histórias fascinantes, que mostram a semente do Evangelho deixada por Deus em cada cultura do mundo. Ele chama esse tipo de revelação geral de Deus o Fator Melquisedeque, usando o nome do sacerdote a quem Abraão prestou homenagem no Livro de Gênesis. 

“Este livro mudará as ideias de muitos cristãos sobre os povos pagãos e sobre a soberania de Deus.”

(O Que Respondi)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

QUANDO A RELIGIÃO CAUSA UM TRAUMA PSICOLÓGICO NA ALMA

QUANDO A RELIGIÃO CAUSA 
UM TRAUMA PSICOLÓGICO NA ALMA

Dr. J. LeBron McBride, Ph.D. *

A religião saudável tem um grande potencial para o bem, mas a religião corrupta pode trazer grande preocupação para a alma. Na verdade, ocorrem grandes acidentes espirituais e lesões traumáticas do psiquismo durante viagens religiosas. Este artigo centrar-se-á em que algumas das maneiras pelas quais a religião ruim resulta em um trauma psicológico até para aqueles que fogem de seu absorvente controle.

Nas décadas mais recentes, temos chegado a observar o impacto de experiências traumáticas em pessoas que as tem sofrido. Temos até um distúrbio psicológico que se reconhece como resultado de um trauma terrível. Chama-se Desordem de stress pós-traumático. Embora certamente não desejo minimizar de forma alguma as terríveis experiências que muitos têm com várias formas de abuso, violência e guerra,  descobri que existem alguns paralelos menos intensos nos que experimentam o trauma da religião destrutiva. Tenho também descoberto que um enfoque puramente teológico à cura dessas pessoas, embora indispensável, não é tão útil como uma abordagem holística, que também inclui aspectos teológicos e relacionais.

Pessoas que despertam, saem de um sistema religioso por vários caminhos. Elas costumam despertar gradualmente e se dão conta de que, sem alguma manobra molesta e evasiva, os pedaços da estrutura teológica simplesmente já não se encaixam para eles. Para aqueles que foram "verdadeiros crentes”, este despertar pode tornar-se confusão, desorganização, e um desconfortável estado psicológico porque as coisas já não ajustam entre si como um pacote bem embrulhado. Esse estado psicológico é chamado dissonância cognitiva devido aos conflitos internos que apresenta.


Ambivalência e confusão

A maioria experimentará uma luta para frente e para trás ou ambivalência ao lutar com o que sempre se lhes tem ensinado e o que estão começando a entender. Um exemplo disto é a pessoa que me escreveu o seguinte:

“Devo confessar que, às vezes, não tenho certeza do que está acontecendo na minha cabeça. Tudo o que sei é que quando eu penso em regressar à "experiência religiosa" dos últimos anos, não posso suportar a idéia. Tenho encontrado uma liberdade e uma alegria que nunca conheci antes, e quanto mais eu aprendo, melhor me sinto sobre isso. No entanto, um não pode ter crescido na "velha escola" e não ter medo, de vez em quando, ser um herege e um "sinal do fim."

Esta ambivalência e confusão podem ser extremamente intensas ao perceber a pessoa de que muitas das suposições e crenças que lhe foram ensinadas durante anos não são corretas. Pode haver uma sensação de impotência, desorientação, e de estar assoberbado, que são experiências comuns dos que passam por um trauma. Depressão, ansiedade, rigidez ou comportamento impulsivo pode tornar-se evidente. Podem experimentar ira, desespero, vergonha, culpa, desconfiança, fúria, medo e irritação. Nada parece normal nem seguro. O questionamento espiritual pode se tornar uma obsessão. O transtorno pode ser horrível.

Zona psicológica de perigo

 
Como um cliente me disse: "A minha fé tem sido sacudida até ao chão." Quando as suposições e as crenças de um caem e caem, se cria uma zona de psicológica de perigo. Os perigos podem incluir o seguinte: 

  * O perigo de voltar à velha estrutura de crença, não porque já não é válida, mas por causa da segurança e da confiança que acabam sendo falsas.

 * O perigo de acreditar que temos de rejeitar tudo que é espiritual ou religioso - "deitar fora o bebê junto com a água do banho"

* O perigo de ir para os extremos da vida, tais como abuso de substâncias psicotrópicas, ter qualquer outro comportamento aditivo para adormecer a dor, ou de recorrer à automedicação

* O perigo de negar qualquer conceito novo ou excluir qualquer forma de pensar que produza um conflito interno

* O perigo de se adaptar e reprocessar quaisquer verdades novas até ao ponto que se comprometa a integridade

* O perigo de tratar de maneira não cristã aqueles que não captam as perspectivas teológicas recém encontradas

* O perigo de se enredar de tal modo em sutilezas teológicas que negligencie o relacionamento com Cristo e os ensinamentos centrais como a graça, a liberdade no evangelho, e o amor.

Muitos que seguem adiante até tornarem-se mais equilibrados pode ser que se aproximem a alguns destes perigos durante um tempo. No entanto, os perigos são muito reais e podem levar à destruição, especialmente se se continua neles por demasiado tempo. Às vezes, comprometem muito a psique e a alma ao apagar as pessoas partes importantes de si mesmas e existir como um robô mecânico para poder suprimir a dor. Evidentemente, é importante não julgar da maneira básica ou a velocidade com que uma pessoa pode progredir em sua luta para mudar. Isso pode ser um assunto muito específico, individual, e pode depender em certa medida da quantidade de doutrinamento que recebeu desde criança em uma estrutura religiosa a qual tenta abandonar.

Perda e dor

A perda que se associa com o abandono de um sistema religioso ou uma cultura religiosa pode ser outro aspecto do trauma. Para muitos, o quanto mais rigoroso o trauma da subcultura do sistema religioso e quanto maior for o isolamento da sociedade em geral, maior será a perda. Quando toda a rede social e os membros da família estão no antigo sistema, o isolamento pode criar uma grande tensão relacional e psicológica. Há ampla evidência da importância da rede social de um para todas as áreas de saúde, e quando se remove a rede social e de apoio, a pessoa está em uma posição fica muito precária. Outro fator que pode vir a funcionar é que, uma vez que um tem crido que ele ou ela é do "remanescente" ou está na "verdadeira igreja", para alguns, há uma perda, por não estar nesse grupo especial. Pode haver também a necessidade de encontrar outra "igreja perfeita", teologicamente falando, que, evidentemente, nunca existiu em primeiro lugar.

Importantes considerações


O que anteriormente foi delineado brevemente e, em geral, como os sistemas religiosos, que são destrutivos, podem precipitar o trauma psicológico, quando uma pessoa tenta passar para outra orientação religiosa. As seguintes são algumas considerações para a manutenção da saúde psicológica em meio de uma experiência traumática:

* Permaneça enfocado no evangelho e em uma relação com Cristo. Nele encontramos nossa condição de especiais e nosso propósito para a tolerância.

* Mova-se em sua própria velocidade; que ninguém mais lhe dite quando necessita mudar uma crença ou deixar uma igreja. Você é que tem que viver com a sua decisão.

* Procure conselhos de pessoas de confiança, e, possivelmente, um conselho pastoral. Muitos conselheiros pastorais podem compreender muitas das suas lutas, em certa medida. Estas lutas ocorrem em muitos sistemas religiosos.

* Comece logo a expandir a sua rede social, se for isolado. Leva tempo e pode ser que não tenha o mesmo nível de comodidade que a proximidade que experimentou com os que tinha conhecido durante anos, e com quem você teve uma comum sistema de crenças.

* Exerça e conserve o equilíbrio em sua vida. Você não pode e não deve estudar os pontos em disputa todo o tempo. Precisa de algum divertimento e lazer saudável.

* Tenha cuidado para não ir a extremos. Sua âncora tem sido levada, e você estará à deriva por um tempo. A moderação é uma chave para a saúde.

* Mantenha a sua paixão, mas lamente a perda de algo de seu idealismo. Não existe nenhuma estrutura religiosa perfeita. No entanto, a seu tempo vai encontrar uma grande satisfação em estar em uma honesta jornada espiritual, em que você pode discutir com integridade e franqueza.

* Re-incida sobre o desafio das novas aventuras de fé e em como sua vida pode ser um exemplo de contínua renovação e reforma para a qual Cristo nos chama em seu discipulado. Cristo não nos chama a ficar como estamos.

* Seja cauteloso e cuidadoso com quem partilha seus recém-achados pontos de vista. Não há nenhum mérito em causar mais turbulência e conflito do que o necessário.

* Dê-se conta, novamente, de que Deus é maior e melhor do que qualquer sistema religioso, e que sua salvação depende de um relacionamento com Ele, e não com nenhuma estrutura organizada. 

Existe um mito em alguns sistemas religiosos destrutivos de que uma pessoa que saia de uma organização não vai sobreviver espiritual ou psicologicamente. Este mito torna mais difícil para alguns abandonarem os sistemas religiosos opressivos. No entanto, este mito é realmente um mito. Há multidões que desfrutam da liberdade de maneiras recém-encontradas de servir e adorar a Cristo em um espírito de liberdade, e que têm superado o trauma psicológico de um sistema religioso tóxico.

* O Dr. McBride é ex-ministro ordenado da IASD. Atualmente, é ministro principal da Primeira Igreja Cristã (Discípulos de Cristo) em Roma, Estado de Geórgia, e Diretor de Medicina da Conduta na Prática de Residência Familiar no Centro Médico Floyd. É terapeuta familiar com licença; autor do liro Spiritual Crisis: Surviving Trauma to the Soul (disponível por meio de Life Assurance Ministries Publications) e Disappointment with the Church (ISBN 0-595-13060-7).

Traduzido do espanhol (http://www.geocities.com/alfil2_1999/trauma.html) para o português por Paulo A. da C. Pinto http://br.geocities.com/pacostapinto