sábado, 26 de dezembro de 2009

"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" - Lucas 19:10


O Cavalo me mostrou....

Estava passando uma temporada na fazenda Curral-mole, em formosa Goiás. Aproximadamente uns 30 km da cidade.

Amanheceu, e como era muito cedo, estava frio, contudo havia um sol nascente com raios quentinhos, que acariciavam minha pele me aquecendo. Nunca havia prestado atenção na gostosura do sol numa manhã fria; os raios eram vivificantes, confortantes, Como o sol é bom na hora certa! Chegava a sentir minha pele absorvendo àquela energia, aquele calor carinhoso.

Às vezes quando era menor e não podia campear, ou seja, buscar as vacas faltantes para ordenha, ficava ali em cima da cerca feita de lascas de aroeira, me aquecendo ao sol, enquanto aguardava a caneca de café com o leite tirado na hora; lá mesmo sobre a cerca tomava tudo.

Mas esta época de ficar em cima da cerca, tomando sol e aguardando uma caneca de café com leite havia passado. Agora após alguns anos minha missão era ajudar e naquele dia faltaram algumas vacas leiteiras e fui encarregado de procurá-las no pasto.

Peguei o cavalo no pastinho, que sempre tem em qualquer fazenda, ao lado da sede e parti em busca das vacas rebeldes. Procurei nos lugares mais fáceis onde provavelmente estariam, e nada! Fui pelos mangueirais antigos, por trás do morro, ao lado da cerca de pedra, que separava nossa fazenda da de um outro vizinho. Muro de pedra, talvez erguido por escravos ou por peões, parece-me que muito antigamente não tinha arame para separar as fazendas e a solução era fazer cerca de pedra ou madeira.

Estive em todos os lugares onde poderiam estar e nada.

Então olhei por trás dos mangueirais onde havia um córrego e percebi que havia uma trilha entrando em uma capoeira. Pensei devem estar ali! E lá fui eu; Adentrei-me à capoeira e vasculhei-a por todo lado. Tudo era igual dentro da capoeira, andei por todos os trilhos que havia e não encontrei uma vaca sequer!

Pensei! Não estão é aqui e já hora de sair desta capoeira e ver se estas vacas não chegaram no curral por outro caminho, ou se fugiram para outro pasto!

Fustiguei o cavalo determinando para ele qual era o caminho a seguir para sair da capoeira. Estava demorando um pouco para conseguir encontrar o córrego por onde tinha entrado na capoeira. Continuei assim por algum tempo e não achava a saída. Às vezes chegava num determinado lugar o caminho se dividia em dois trilhos e eu forçava o cavalo a ir por onde eu pensava que era certo, mesmo sentindo que ele queria ir pelo outro trilho.

Continuei na minha busca por muito tempo. Já estava dando uns safanões no cavalo e brigando com mesmo, pois ele teimava em certos momentos em não seguir o caminho que pela rédea eu comandava.

Chegou um momento que percebi que estava perdido! Puxa! Eu não estava conseguindo sair daquela capoeira ali do lado do córrego e ao lado dos mangueirais? Não, não é possível vou achar a saída! Em vão; não dava nem para ver para que lado estava o sol! E mesmo que desse, acho que não saberia me orientar. Procurei andar em linha reta para chegar ao córrego; que nada! caminho algum levava ao córrego.

Comecei a entrar em desespero! Briguei mais algumas vezes com o cavalo que não estava querendo seguir a trilha que eu indicava... Depois de tentar tudo, chegaram as lágrimas comum nas crianças... Eu estava realmente perdido! Precisava de ajuda. Onde encontrá-la? O que fazer? Como sairia eu daquela maldita capoeira?

Novamente o cavalo queria me desobedecer, dei-lhe umas chicotadas, pois ele queria ir para o outro lado!

O que?

Porque ele está querendo ir por outro caminho?

Puxa! eu estou perdido mesmo! Então não custa nada!

Vou deixar este cavalo idiota ir por onde ele quer...

Vá!

Soltei as rédeas e deixei o cavalo escolher o caminho. Foram alguns momentos... Não sei precisar quanto .. Logo apareceram o córrego e a trilha por onde eu tinha entrado..O CAVALO SABIA MAIS DO QUE EU.

Aprendi que quando você está perdido e a cavalo ; solte as rédeas que ele te leva de volta para casa.

Aprendi também que "Não podemos orientar o vento, mas podemos ajustar a vela."

Vivendo e aprendendo

Deus estava ali com aquele animal para me mostrar o caminho de volta para casa!

Lição:

Certa vez, durante um estudo bíblico, meu amigo Eduardo me disse: “As pessoas estão sem o norte”. São pessoas que vivem no mundo sem saber para onde estão indo, são levadas por qualquer vento; são como marinheiros no mar sem uma bússola, levados pelo vento.

Estão perdidos.

JESUS DISSE:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” – “Ninguém vai ao Pai senão por mim” –

“Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.”

A Palavra e as promessas de Deus, são o nosso norte.

domingo, 20 de dezembro de 2009

E O Cavalo disparou....



O Cavalo disparou.....

“A vida faz de nós o que quer, e tudo que conseguimos é nos sustentar da melhor maneira possível em meio aos solavancos” – Gordon Levingston

Eram meados de 1963/1964 – Formosa/GO .

O cavalo era muito ágil e puxava a carroça com agilidade e força. Atendia os comandos de rédea imediatamente. Ao chicote nem se fala! Ao estalido do mesmo o pequeno potrinho voava puxando aquela carroça de pneus finos e molas; era uma carroça nova, com assentos nas laterais logo acima das rodas; tinha a cor verde. Quando queríamos colocávamos um banco atravessando o meio preso nas grades laterais , no sentido dos eixos. Era um excelente meio de transporte, e ainda mais , ótimo carro para um menino leiteiro se exibir pelas ruas da minha cidade!

Muitas vezes me pararam perguntando se eu queria Cr$ 20.0000,00(vinte mil cruzeiros) pelo animal , pois passava com aquele lindo potrinho puxando velozmente a minha carroça em frente a rodoviária da cidade, onde as charretes-táxis ficavam estacionadas aguardando os passageiros que chegavam nas jardineiras que agora começavam a chamar de ônibus .

Este potrinho ainda não era bem manso, ficava às vezes muito agitado e tinha que ter força de mão e destreza para controlá-lo e evitar acidentes.

Lembro-me de certo dia, depois de entregar o leite pelas ruas da cidade , fui à chácara onde ficava o gado, ajudei a dar a ração, apartei (separei os bezerros das vacas), coloquei-os em pastos separados, pois a partir das 17:00 horas de cada dia os bezerros não mamavam mais, para que no outro dia bem cedo fosse feita uma farta ordenha.

Após este trabalho voltava para casa de meus pais na cidade, perto da qual tinha um pastinho dormitório para os cavalos que seriam usados no trabalho logo cedo no dia seguinte.

Numa destas, após um dia de trabalho, todo suado, o potrinho estava ansioso para beber água, pastar e descansar naquele pastinho dormitório, no meio do qual passava um regato de águas cristalinas e não poluídas.

Cheguei em casa, onde deixaria a carroça, desatrelei-o, ele estava ansioso, mal podendo esperar a hora de ir para o pastinho, mal imaginava eu o que aconteceria!

Deixei o potrinho em pelo, tirei o freio deixando-o só de cabresto. Montei no animalzinho, em pêlo, suado, escorregadio e espoleta. Mal acabei de montar ele saiu em disparada! Tentei pará-lo usando o cabresto, em vão; o chão de cascalho batido pelo passar dos carros, estava coberto de pedrinhas, tornando uma derrapagem ou escorregão muito fácil. Na primeira curva a direita, penso que escapei porque ele ainda não estava desenvolvendo a velocidade que ansiava.

Depois veio uma ladeira bem reta de mais ou menos uns quinhentos metros, pela qual ele voava pegando embalo para subir os outros quinhentos metros apostos a decida, que de passagem tinha um ponte entre a descida e a subida.

O pânico tomou conta de mim, pois após aquela subida havia uma curva de 90 graus a direita, com todo aquele cascalho batido, coberto com aquela farinha de pedregulhos solta na superfície. Pensei é ali que vou me esfolar todo! Há se sair vivo desta! com certeza o bichinho derraparia naquela curva fatal!!

Pensei !

Bom! É curva! ele vai diminuir a velocidade!

Em vão! ele corria mais velozmente, sem se preocupar com o cascalho solto da curva... para ele, tudo eram nuvens.... afinal ele estava indo para o paraíso, que era o sonhado pastinho com relva verdinha e água cristalinas...E eu! Indo para o terror de uma curva fatal... terrível... tentei fazer com que ele diminuísse a velocidade puxando o cabresto e dando comando verbais de calma; Inútil! ele estava na sua velocidade máxima e a curva chegou.... Segurei-me na crina com todas forças e aderi meu corpo ao pelo suado e escorregadio, preparei –me para a curva acompanhando o veloz guinar do animal, inclinando-me levemente para a direita. Pelo que percebi ele não diminuiu a velocidade e nem derrapou, venceu aquela curva como se fosse uma curva feita por um balão de festa quando escapa se esvaziando e parou na frente da porteira do ansiado pastinho, paraíso!

Pensei! Este percurso nestas condições! jamais!

Abri a porteira, com as mãos e pernas tremendo; soltei-o, entrou no pasto, todo se sacudindo e feliz; afinal adentrara no sonhado paraíso!

Penso que foi um dos meus maiores sustos...

Susto! Tudo acontece de repente. Quando da juventude não percebemos os riscos que corremos em atitudes corriqueiras. Eu não sabia que cavalos recém amansados tinham este costume de disparar.

" Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti procuro segurança! Na sombra das tuas asas eu encontro proteção até que passe o perigo." Salmo 57:1

Francisco Alberto