quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Calvinismo e Arminismo = Extremos?


JESUS MORREU POR TODOS?


R. C. Sproul

Fonte : http://www.genizahvirtual.com/2010/02/jesus-morreu-por-todos.html


Um dos pontos mais controvertidos da teologia reformada tem a ver com o terceiro item de nossa lista de itens do Capítulo Cinco. É a expiação limitada. Este tem sido um tal problema de doutrina que há multidões de cristãos que dizem que abraçar a maioria das doutrinas do calvinismo, mas saem do barco bem aqui.

Referem-se a si mesmos como os calvinistas dos “quatro pontos“. O ponto que não podem sustentar é a expiação limitada. Freqüentemente tenho pensado que, para ser um calvinista de quatro pontos, é preciso que a pessoa não entenda pelo menos um dos cinco pontos. É difícil imaginar que a pessoa possa entender os outros quatro pontos do calvinismo e negar a expiação limitada. Existe sempre a possibilidade, contudo, da feliz inconsistência pela qual as pessoas sustentam diferentes pontos de vista ao mesmo tempo.

A doutrina da expiação limitada é tão complexa que, para tratá-la adequadamente, seria preciso um volume completo. Nem mesmo dediquei um capítulo inteiro a ela neste volume, porque um capítulo inteiro não lhe faria justiça. Eu pensei em não mencioná-la de todo, porque existe o perigo de que dizer pouco sobre ela seja pior do que não dizer nada. Mas penso que o leitor merece pelo menos um breve resumo da doutrina e assim procederei – com cuidado porque o assunto requer um tratamento mais profundo do que posso conceder aqui.

A questão da expiação limitada tem a ver com a pergunta: “Por quem Cristo morreu? Ele morreu por todos ou somente pelos eleitos?“

Todos concordamos que o valor da expiação de Cristo foi suficientemente grande para cobrir os pecados de todos os seres humanos. Também concordamos que sua expiação é verdadeiramente oferecida a todos os seres humanos. Qualquer pessoa que coloca sua confiança na morte expiatória de Jesus Cristo certamente receberá os completos benefícios dessa propiciação. Estamos também confiantes de que, qualquer que responde à oferta universal do Evangelho será salvo.

A questão é: “Para quem a expiação foi designada?“

Deus mandou Jesus ao mundo meramente para tornar a salvação possível às pessoas? Ou Deus tinha alguma coisa mais definida em mente? (Roger Nicole, o eminente teólogo batista, prefere chamar a expiação limitada de “Expiação Definida”).

Alguns argumentam que tudo o que expiação limitada significa é que os benefícios da expiação são limitados aos crentes que satisfazem as condições necessárias de fé. Isto é, embora a expiação de Cristo fosse suficiente para cobrir os pecados de todos os homens e para satisfazer a justiça de Deus contra todo pecado, ela efetiva a salvação somente para os crentes. A fórmula diz: Suficiente para todos, eficiente somente para os eleitos.

Esse ponto simplesmente serve para nos distinguir dos universalistas, que crêem que a expiação assegurou salvação para todos. A doutrina da expiação limitada vai além disso. Refere-se à questão mais profunda da intenção do Pai e do Filho na cruz. Declara que a missão e morte de Jesus foi restrita a um número limitado – a seu povo, suas ovelhas.

Jesus foi chamado de “Jesus” porque Ele salvaria seu povo de seus pecados (Mt 1.21). O Bom Pastor dá sua vida pelas ovelhas (Jo 10.15). Essas passagens são encontradas freqüentemente no Novo Testamento.

A missão de Cristo era de salvar os eleitos. “E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.39).

Não tivesse havido um número fixo de contemplados por Deus quando Ele designou que Cristo morresse, então os efeitos da morte de Cristo teriam sido incertos. E possível que a missão de Cristo tivesse sido uma tristeza e completo fracasso.

A propiciação de Jesus e sua intercessão são obras conjuntas de seu sumo sacerdócio. Ele explicitamente exclui os não eleitos de sua grande oração sumo sacerdotal: “…não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus…” (Jo 17.9). Cristo morreu por aqueles por quem Ele não orou?

A questão essencial aqui diz respeito à natureza da oferta de Jesus. A oferta de Jesus inclui tanto expiação quanto a propiciação. Expiação envolve a remoção que Cristo faz de nossos pecados “para fora” (ex) de nós. Propiciação envolve uma satisfação pelo pecado “perante ou na presença de” (pro) Deus.

O arminianismo tem uma oferta que é limitada em valor. Não cobre o pecado dos incrédulos. Se Jesus morreu por todos os pecados de todos os homens, se Ele expiou todos os nossos pecados e propiciou todos os nossos pecados, então todos seriam salvos. Uma oferta potencial não é uma oferta verdadeira. Jesus realmente fez oferta pelos pecados de suas ovelhas.

O maior problema com a expiação definida ou limitada é encontrado nas passagens que as Escrituras usam referentes à morte de Cristo “por todos” ou pelo “mundo todo”. O mundo por quem Cristo morreu não pode significar a família humana inteira. Deve referir-se à universalidade dos eleitos (povo de todas as tribos e nações), ou à inclusão dos gentios em acréscimo ao mundo dos judeus. Foi um judeu que escreveu que Jesus não morreu meramente por nossos pecados, mas pelos pecados do mundo todo. Será que a palavra nossos refere-se aos crentes ou aos judeus crentes?

Precisamos nos lembrar de que um dos pontos cardeais do Novo Testamento refere-se à inclusão dos gentios no plano da salvação de Deus. A salvação era dos judeus, mas não restrita aos judeus. Onde quer que seja dito que Cristo morreu por todos, algum limite precisa ser acrescentado, ou a conclusão teria de ser o universalismo ou a mera expiação potencial.

A expiação de Cristo foi real. Ela efetivava tudo o que Deus e Cristo pretendiam dela. O desígnio de Deus não foi e não pode ser frustrado pela incredulidade humana. O Deus soberano soberanamente enviou seu Filho para propiciar pelo seu povo.

Nossa eleição é em Cristo. Somos salvos por Ele, nele e para Ele. O motivo para nossa salvação não é meramente o amor que Deus tem por nós. É especialmente baseada no amor que o Pai tem pelo Filho. Deus insiste que seu Filho verá o trabalho de sua alma e ficará satisfeito. Nunca houve a menor possibilidade de que Cristo pudesse ter morrido em vão. Se o homem está verdadeiramente morto no pecado e preso ao pecado, uma mera expiação potencial ou condicional não somente pode ter acabado em fracasso, como muito certamente teria acabado em fracasso.

Os arminianos não têm razão verdadeira para crer que Jesus não morreu em vão. São deixados com um Cristo que tentou salvar a todos, mas na realidade não salvou ninguém.

7 COMENTÁRIOS. FAÇA UM BLOGUEIRO FELIZ, COMENTE!:

Pr.Valdivan Nascimento disse...

I JO.2:2

Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não apenas pelos nossos, mas pelo mundo inteiro.

A BíbLia é suficiente. O arrazoado que calvinistas fazem para dizer que Jesus só morreu pelos eleitos é estranhíssimo.

Gabriel Nagib disse...

Motivo pelo qual não sou Calvinista, nem Arminiano. Confundem mais do que esclarecem, e no final tanta teologia não serve de nada para a prática.

Higor Crisostomo disse...

O Calvinismo insiste em afirmar que somos um “Robô de Deus”, fazendo montagens teológicas como no texto acima.
Sendo que a palavra de Deus é simples.
Jesus Cristo, fez provisão de forma geral para a salvação de todos aqueles que, pelo arrependimento em direção a Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo, aceitam os termos, e todos os que dessa forma aceitam são eternamente salvos. Todos os que rebelam contra Deus, e recusam aceitar Jesus nos termos da misericórdia ofertada, morrem sob a ira divina, e são eternamente perdidos.
Se Eu Hoje mesmo não quiser buscar a Deus, e com isso não irei mais à igreja, estou negando o sacrifício que Jesus fez por mim, posso fazer isso, tenho esse direto de escolha.
Mesmo Deus tendo me escolhido e aberto o meu entendimento para compreender as escrituras, posso fazer a escolha em continuar buscando a Ele, ou negar a minha fé.

Ruy Cavalcante disse...

"O mundo por quem Cristo morreu não pode significar a família humana inteira. DEVE referir-se à universalidade dos eleitos (povo de todas as tribos e nações), ou à inclusão dos gentios em acréscimo ao mundo dos judeus."

Simples assim fica meio difícil de engolir...

Marcinho Thuler disse...

"A verdade não está no meio e nem no extremo, mas nos dois extremos. Aqui estão dois extremos: calvinismo e armenianismo.

John Stott em Cristianismo Equilibrado

Cleber disse...

"Os arminianos não têm razão verdadeira para crer que Jesus não morreu em vão. São deixados com um Cristo que tentou salvar a todos, mas na realidade não salvou ninguém."

Amado,
as falácias do calvinismo realmente surpreendem.

Pr Cleber.
http://confraria-pentecostal.blogspot.com

Alessandro Cristian disse...

Engraçado... Quanto mais quero escapar do calvinismo, mais me aprofundo nele...



4 comentários:

Pastoragente disse...

Graça e paz!
Vim conhecer seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.

Venha dar a honra de sua visita no PASTORAGENTE.BLOGSPOT.COM e, se quiser seguí-lo, vai ser uma alegria para mim.
Lá eu exponho da forma mais realista e divertida possível as situações, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
Fique na paz e um 2010 abençoado para você e toda sua família.
Abração!!!

Jesus minha inspiração disse...

A doutrina da justificação pela fé é tão simples que uma criança entende, mas não entendo por que os adultos complicam-na. Jesus foi o maior pregador desta doutrina, pois era Sua Missão não só pregá-la, mas vivê-la. (Se bem que não podemos criar doutrina fundamentadas em parábolas, mas temos que aceitar que Jesus as utilizou para transmitir a mensagem do Seu Reino).Vejam as parábolas do filho pródigo, a ovelha perdida, a drácma perdida falam de pessoas perdidas dentro de nossa casa, mas que foram salvas. A parábola da pescaria, que pega todo tipo de peixes, refere-se a todo tipo de pessoa. A doutrina da justificação pela fé também encontra-se em declarações simples, mas de valor muito profundo, como as que Jesus disse, Eu Sou a Luz do mundo, Eu Sou a porta do Curral, Eu Sou o Bom Pastor, Eu Sou a água viva, Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida e etc. Todas elas contêm implícita e explícitamente esta doutrina. Para concluir diria que o amor de Deus é incondicional, Sua morte na cruz é extensiva a todos os pecadores, mas tanto a aceitação do amor de Deus, como a aceitação da salvação em Jesus Cristo, morto na cruz, são condicionais, pois depende da livre escolha do ser humano para aceitar ou rejeitar. Assim, Deus derrama a chuva para todos, mas quem não quer se molhar fica em casa ou usa guarda chuva, a opção é sempre do homem. Por isto que a Bíblia diz, que "o justo viverá da fé". Uma coisa que muitos não percebem, mas no Reino de Deus só vai existir um tipo de pessoa, e estes são os pecadores arrependidos (ninguém será salvo por outra qualidade, status, raça, religião, sexo, posição social etc., graças a Deus). Semelhantemente no reino de Satanás só vai ter um tipo de pessoa, e estes são os pecadores NÃO arrependidos (os que rejeitaram a salvação ofertada em Cristo Jesus). Jesus disse que veio buscar os doentes e estes são exemplificados na parábola do Fariseu (o que pensava estar são) e o publicano (o que pensava estar perdido e realmente estava, mas que aceitou a graça de Deus sobre si). Mas também precisamosa entender que Jesus veio nos livrar dos pecados, nos fazer uma nova criatura, viver uma nova vida e só podemos ser novas pessoas quando mudamos nossos hábitos maus. Jesus não nos salva para continuarmos vivendo na lama do pecado, nos salva para novidade de vida. "Se alguém estar em Cristo é nova criatura, as coisas antigas passaram..." Nova vida implica em obedecer a Deus. Obediência implica em fazer o que Deus quer e não o que eu quero ou gosto. Devemos entender que primeiro vem a ACEITAÇÃO do plano de Deus em Cristo Jesus para nos salvar, uma vez salvo, somos livres das garras do pecado, livres para obedecer a Deus. Então a obediência a Deus é uma consequência natural da nossa condição de estar salvo em Cristo. Isto deve ser entendido da seguinte forma: não obedecemos para sermos salvos, mas obedecemos a Deus porque JÁ ESTAMOS salvos, foi o que jesus quis dizer "Se me AMAiS guardareis os meus mandamentos." Primeiro amamos a Deus (aceitamos Sua salvação) para depois obedecê-Lo (guardar os mandamentos, conforme está em Êxodo 20). Não somos salvos para sermos os piores seres humanos, somos salvos para sermos exemplos de cidadãos neste mundo. A lei de Deus é a expressão do caráter santo de Deus. "Sede santo como Eu Sou santo" é o convite de Deus a Seus filhos. Concluindo diria que o cristão completo (aceitável a Deus) é o que ama a Jesus e o obedece. Deus nos ilumine.

Francisco A. de Azevedo disse...

PastorAgente,

Graça e Paz também!

Passei lá na sua página.
Vamos continuar nos comunicando.

Saudações Cristãs!

Alberto
=========

Francisco A. de Azevedo disse...

Jesus minha inspiração,

Saudações Cristãs!

Não creio nesta afirmação de que:
"A lei de Deus é a expressão do caráter santo de Deus."

Sabe porque! porque a lei não fala de amor.

E A Maior dádiva de Deus para a humanidade não está na lei, e a maior expressão de seu caráter está em Cristo Jesus, veja:

"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16

Portanto não vejo a lei como expressão do caráter de Deus ou transcrição do mesmo. Pode conter penas uma pequena porcentagem.

Lendo os dez mandamentos, ou os 613 mandamentos da torah, temos que, são regras para uma teocracia terreal, num mundo de pecado, ou seja, observe os dez mandamentos:

1- Não ter outros Deuses, Só Nosso Criador;
2 - Não fazer/ter/adorar/imagens;
3 - Não falar o nome de Deus em vão;
4 - Lembra-te do sábado(Descanso);
5 - honrar pai e mãe;
6 - Não matarás;
7 - Não adulterar;
8 - Não furtarás;
9 - Não dirás falso testemunho:
10- Não cobiçarás.

Os quatro primeiros - fala-nos do verdadeiro Deus e fuga da idolatria - ( Fala de Amar a Deus ou de ser amados por ele?)

O seis seguintes - fala-nos de não prejudicar o próximo, mas não de amá-lo, ou de ser amado por ele, fala?

Penso que o caráter de amor de Deus reflete-se muito bem na SUA atitude, quando deu seu filho UNIGÊNITO, na cruz do calvário, para nos resgatar da maldição do pecado.

Não devemos confundir o caráter de Deus com a lei, pois a mesma foi dada para que os homens pecadores soubessem os procedimentos que desagradavam a Deus e ofendia a seu próximo.

Dizer que a lei reflete seu caráter, estaremos tirando do ato doador de Deus na cruz do calvário, o seu poder redentor; pois foi ali que Deus realmente provou que nos amava, mostrando (Expressando) seu caráter de amor, bondade e misericórdia.

Continuando sobre o termo mandamentos; os dez mandamentos são uma fração dos mandamentos(LEIS) do Senhor contidas no Torah.

Quando a bíblia fala mandamentos, nem sempre refere-se aos dez mandamentos; e quando fala lei, também nem sempre, refere-se aos dez mandamentos.

O Torah tem 613 mandamentos que devem ser estudados junto com o Talmude, para entender a alma do povo Judeu.

- 248 mitzvot eram(são) mandamentos positivos, como por exemplo a diretriz de que o Judeu deve cuidar da viúva e do órfão;
- 365 eram mandamentos negativos (são), como por exemplo a advertência de que o Judeu não deve aceitar suborno;

E Assim por diante...

Portanto vendo por este ângulo e sabendo que a bíblia foi escrita por Judeus, e que quando fala em mandamentos, temos a obrigação de permitir outros além dos dez.

Veja a citação de Tiago:

"A Religião pura e sem mácula, para com nosso Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo." Tiago 1:27

Ajudado em consulta ao livro "o Físico" - páginas 410 e 414. Contém fatos históricos.

Saudações

Continue participando